Na semana passada, fui na abertura da 24ª Campanha de popularização do teatro em Campinas (www.teatrocampinas.com.br/) para assistir a peça Donana, de Ronaldo Ciambroni, umas das mais conceituadas e premiadas do teatro brasileiro. Ela deu origem a velha esperta da Praça é Nossa. Trata-se de um monólogo que começa como comédia e termina como drama de uma senhora agora com mais de 90 anos, viúva, vivendo sozinha e sem o apoio da família. Realmente a peça é excelente. O autor e ator consegue fazer você dar risada e rapidamente o leva a refletir sobre como nossa sociedade trata os idosos.
Deixando de lado toda a reflexão social, me veio à mente algumas oportunidades de negócios voltadas a atender o público idoso que cresce rapidamente no Brasil com a melhora das condições de vida.
Em 2007, vi numa feira de franquias em São Paulo um dispositivo que era instalado dentro de casa que se comunicava com uma Central telefonica 24h por dia. Em caso de dificuldades, o idoso deveria acionar o dispositivo e falar com a Central sobre seu problema. Pensando no caso de uma emergência, há uma pulseira com um botão de panico que aciona automaticamente a Central. Esta, por sua vez, informará à familia ou empresa de segurança para visitarem o idoso.
À época me chamou a atenção mas logo fui viajar para a Europa. Lá pude imaginar como seria o nosso futuro se chegassemos ao mesmo nivel de desenvolvimento europeu. A peça de teatro me trouxe à mente todas estas informações e visualizei uma boa oportunidade de negócio pensando no médio e longo prazo, ainda que no curto prazo possam existir dificuldades como mercado restrito (A/B/C) e renda baixa.
Mas fui tentar localizar aquela empresa e verificar se a mesma estava atuando no Brasil. Encontrei uma empresa chamada TeleHelp (http://www.telehelp.com.br/) que está atuando em São Paulo com os mesmos tipos de serviços à um custo mensal entre R$ 70 e R$ 110. Considerando Campinas e região podemos estar diante de uma boa oportunidade de negócio. Além desta, identifiquei uma outra que pode ser tão interessante quanto. Trata-se do acompanhamento e transporte de idosos à consultas, exames, academia, shoppings, etc. Recentemente levei minha avó ao médico, substituindo meu pai que costuma fazer isto e ele brincou que abriria uma empresa de transportes de idosos. E não é que pode dar certo.
No Brasil isto é ainda pouco explorado, mas consegui identificar algumas empresas/pessoas que prestam este serviço em Santos e São Paulo. Além disto, o modelo de negócio poderia ser replicado com base numa empresa canadense de sucesso (http://www.drivingmissdaisy.net/).
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), existem atualmente cerca de 600 milhões de pessoas acima de 60 anos em todo o mundo. Em quatro décadas esse número saltará para dois bilhões de idosos, sendo que 10% terão mais de 100 anos de idade.
No Brasil, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de idosos é de 17 milhões. Até 2050, serão 34,3 milhões de pessoas com mais de 70 anos, superando os jovens com idade entre 20 e 24 anos.
Eis um mercado promissor, onde o posicionamento da empresa agora pode resultar em bons frutos no futuro.