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terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Leão na Poupança

E o governo finalmente decidiu: cobrará imposto de renda sobre os redimentos da poupança a partir do ano que vem. Mas calma leitor, a maioria não será afetada.

Nem vamos entrar no mérito de se é correto ou não, se seria a melhor forma e todo este bla bla bla. Nosso querido e amado governo sempre opta pela opção mais fácil, geralmente não a melhor.

A partir de 2010, aqueles que mantiverem quantias superiores a R$ 50 mil terão seus rendimentos taxados em 22,5% direto na fonte. Estima-se que apenas 1% das contas ativas tenham saldos acima destes valores afetando uma pequena parcela dos poupadores.

Mas se você for um deles, tentará buscar alternativas (jeitinho brasileiro) para evitar esta tributação. Tentará abrir contas em diversos bancos e manterá saldo inferior a R$ 50 mil. Abrirá contas em nome da esposa e dos filhos. E por aí vai.

Embora o recolhimento não ocorra na fonte para estes casos, o pagamento do IR será feito na declaração anual pois será necessária declarar todas as contas poupanças bem como seus dependentes. Ou seja, dificilmente você escapará da tributação.

sábado, 11 de julho de 2009

Poupança ! Ficar ou mudar?


Nas ultimas semanas, graças ao portal
Finanças Pessoais, tenho recebido muitas perguntas sobre a melhor aplicação para quem tem quantias pequenas e grandes aplicadas na poupança. Ficar ou mudar?

Deixando os calculos financeiros e as explicações conceituais de lado, vamos ao que interessa:

Até R$ 3 mil? Poupança. Embora possa conseguir rentabilidade um pouco maior em CDBs ou mesmo fundos, o tempo investido buscando não compensa.

Tem até R$ 5 mil e não quer dor de cabeça e segurança? Invista em Poupança. Rentabilidade garantida, sem imposto de renda e simples para aplicar.

Tem acima de R$ 3 mil e quer buscar rentabilidade maior? Ligue para o seu gerente e pergunte:

1) Tem algum fundo de renda fixa com taxa de administração menor ou igual a 1%?
2) O CDB pós fixado com prazo superior a 30 dias paga quando?

Se a resposta para a pergunta 1 for Sim ou para pergunta 2 for um valor acima de 90% do CDI, vale a pena mudar.

Para valores acima de R$ 5 mil, busquem rentabilidades maiores, principalmente se pretendem ficar com o dinheiro investido por mais de 1 ano. Com os juros cada vez mais baixos, 1% de diferenca ao ano ao longo de vários anos resulta numa perda de rentabilidade consideravel. Por tanto, busque migrar para CDBs, Fundos ou Titulos Publicos (Tesouro Direto).

Se precisarem de alguma ajuda, continuem encaminhando as duvidas e comentarios para mim (bruno.massera@gmail.com).

sábado, 25 de abril de 2009

O facticius da poupança

A poupança é o "produto financeiro" ou forma de aplicação mais popular que existe no Brasil. É praticamente impossivel conhecer alguem que desconheça a poupança. Logo, fazer qualquer tipo de alteração nesta modalidade de aplicação causa reações imediatas no público. Lembremos do "confisco" no Plano Collor. A poupança virou um fetiche, facticius em latim.

Com a redução recente da SELIC (conhecida como a taxa básica de juros para a economia), a atratividade da poupança aumenta. Com a crise financeira internacional e a desaceleração da economica brasileira, a tendência é que a SELIC seja reduzida ainda mais e atinga a casa de um dígito. Para que a redução da SELIC possa continuar é necessario que a rentabilidade da poupança seja alterada. Por que? Hoje a SELIC está em 11,25%. Com expecativa de corte de 1% na próxima semana, chegria aos 10,25%. Neste nível a poupança já se tornaria mais atrativa do que os fundos que cobram mais de 3% de taxa de administração.

Sendo mais atrativa, haveria uma migração de recursos dos fundos para a poupança. Com dificuldade para se financiar vendendo títulos, o governo encontraria um nivel minimo de rentabilidade pelo qual não conseguiria passar. O mercado estima que este mínimo esteja próximo aos 9%.

Ceteris paribus, tudo o mais mantido constante no "economês", não é interessante para as instituições financeiras esta migração em massa para a poupança pois haveria uma forte perda de receitas das taxas de administração dos fundos de renda fixa.

Para os aplicadores, a migração reduziria a perda de rentabilidade uma vez que a rentabilidade mínima da poupança é de 6% ao ano, livre de impostos. Com a alteração, a rentabilidade seria reduzida, criando desistimulos a esta migração.

Por fim, para o governo os efeitos são ambiguos. Deixando a poupança como está, o governo teria dificuldades em abaixar os juros, bem como financiar sua divida. Além disto, perderia a receita do imposto de renda gerada pelos fundos. Por outro lado, aumentariam os recursos para o crédito habitacional.

Mexer neste vespeiro pode ser perigoso politicamente pois desgastaria a imagem do presidente "mais popular do mundo". Imaginem, "Lula mexe na poupança e reduz os ganhos dos trabalhadores".

Basicamente há 3 idéias de como alterar a rentabilidade da poupança: 1) alterar a TR; 2) atrelar a rentabilidade a SELIC ou 3) definição periodica da rentabilidade por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN). Alterar a TR impacta diretamente nos custos do financiamento habitacional, tornando mais barato ou mais caro. As duas outras opções trariam muitas incertezas para os aplicadores, reduzindo a tradicional "segurança" da poupança.

Aos finalmente, ganha força a ideia de trabalhar com rentabilidades diferentes para determinadas faixas de valores. Como 90% dos aplicadores tem menos de R$ 20 mil aplicados, a ideia seria deixar uma rentabilidade maior até esta faixa e reduzir para os valores maiores, incentivando a aplicação nos titulos do governo e fundos de renda fixa. A cada dia, uma alteração estrutural no sistema de poupança torna-se mais necessária caso a economia realmente caminhe para uma taxa de juros de equilibrio mais baixa. Acompanhemos o desenrolar dos próximos capitulos.
 
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