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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O valor do amanhã

Ontem terminei a leitura do excelente livro de Eduardo Giannetti chamado o valor do amanhã. Muitos devem conhecer este titulos pelo quadro que ele teve no fantastico, por sinal, muito interessante. O livro, claro, é melhor ainda.

Oportuno falar em AMANHÃ no primeiro mês do ano (psicologicamente parece que começar um ano renova o espirito humano, ainda que alguns de meus amigos discordem disto). Giannetti aborda com bastante profundidade o tema juros, não apenas sob o aspecto monetario.

O livro está dividido em quatro partes com cinco capitulos cada: As raizes biologicas do dinheiro; imediatismo e paciência no ciclo de vida; anomalias intertemporais; e, por fim, juros, poupança e crescimento.

No prefácio, como de era de se esperar, dá a tônica do livro: "O fenômeno dos juros é, portanto, inerente a toda e qualquer forma de trocan intertemporal. Os juros são o prêmio da espera na ponta credora - os ganhos decorrentes da transferência ou cessão temporária de valores do presente para o futuro; e são o preço da impaciência na ponta devedora - o custo de antecipar ou importar valores do futuro para o presente."

O autor aborda desde as trocas intertemporais realizadas pelo nosso próprio organismo entre presente e futuro, passando por temas como a miopia (valor demasiado ao que está próximo, presente) e hipermetropia temporal (valor excessivo ao amanhã, futuro) com reflexões filosóficas profundas como "A moderação, concluo, tem seu mérito, mas ela também precisa ser moderada. O que se busca não é o tépido equilíbrio - "jamais desejar algo além da medida" -, mas a arte da tensão profícua". Na ultima parte aborda os juros como tradicionalmente costumamos vê-lo.

Por que algumas pessoas e sociedades parecem mais dispostas a esperar, postergando consumo, que outras? Para mim esta é uma das grandes reflexões do texto. Nos últimos dois capitulos, Eduardo discute bastante sobre isto, além de outros pontos. Imediatamente pensei no Brasil e seus altos juros que com dificuldade caem. Imediatamente o consumo explode, os juros sobem novamente. Equação simplificada, é claro, para "justificar" os juros altos. Para mim, o problema vem de longa data e a solução passa por alterações do marco institucional e uma evolução cultural de muitas gerações. No Brasil há um consumo represado gigantesco. Consumir agora, pagar amanhã. Leitura mais que recomendada.

Coincidência ou não, o relatorio de hoje (Empiricus_51) da casa de research Empiricus, aborda o tema objetivamente (como é de costume) com um texto entitulado "linearização". Dizem eles:

Do lado credor, Jonathan e Victor descobrem nossa tendência de subestimar a entrada do valor futuro, dados o valor presente, o horizonte temporal e a taxa de retorno. Do lado devedor, subestimamos o peso de amanhã do Valor Presente contratado agora. Erros explicados pelo que a literatura chama de "viés do crescimento exponencial" (VCE): os agentes não conseguem notar precisamente o declínio (aumento) no consumo futuro resultante de tomar emprestado (poupar) hoje.

Para entender melhor, vamos voltar ao colégio, onde aprendemos que:

Valor Futuro = Valor Presente * (1+i)^T

O termo (1+i)^T, uma função exponencial, representa indivíduos racionais, sem VCE. Já na vida bandida, fica assim: (1+i)^(1-W)*T. Dessa forma, o VCE pode ser descrito por um 0


Sugestão para economizar na compra do livro: novo site chamado memee. Ou no tradicional submarino.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Remorso por poupar demais

Li um texto hoje que vale a pena divulgar. Trata da questão entre o poupar demais hoje pensando no futuro. No final, você não acaba aproveitando o presente e no futuro se arrepende por não ter gasto mais no passado. É o famoso trade-off entre poupar e gastar.

Remorso de poupar demais pode ser maior do que o de gastar, diz pesquisa

Um estudo conduzido por pesquisadores das universidades de Columbia e Harvard detectou que pensar sempre no futuro, inclusive quando o assunto é dinheiro, não é tão positivo quanto se imagina.

A necessidade de se sentir eficiente e a tendência a se sentir culpado quando se faz alguma coisa "just for fun" (apenas para diversão, na tradução livre) é universalmente humano, diz o estudo, mas a obsessão pela produtividade pode fazer o indivíduo enxergar momentos de prazer - a exemplo de uma compra - como perda de tempo, irresponsabilidade ou imoralidade, o que não é bom.

Os pesquisadores Anat Keinan (Harvard) e Ran Kivetz (Columbia) disseram que o que acontece é que há pessoas que têm o hábito de superestimar os benefícios do que irão receber no futuro, por tomar decisões responsáveis agora. O nome dado ao fenômeno foi "hipermetropia", igual ao problema que acomete a visão, segundo publicado na Revista de Harvard dos meses de setembro e outubro.

Quando trazido para o lado financeiro, o hábito pode ser encarado da seguinte forma: a pessoa poupa muito dinheiro, pensando nas condições futuras, o que a leva a não consumir aqueles produtos de que mais gosta. No futuro, isso tende a gerar um grande remorso, maior até do que se ela tivesse comprado.

A professora de Harvard começou a pensar na questão depois de notar uma tendência de reclamação das pessoas por ter estudado muito e trabalhado demais, em detrimento de sair aos finais de semana e viajar, por exemplo. Os pesquisadores pensaram, então, em analisar este comportamento com um estudo formal, que foi aplicado em estudantes.

O resultado foi que, quando analisado o curto prazo, na escolha entre trabalho e prazer, quem escolheu a diversão se arrependeu mais. Mas quando consideradas decisões feitas há mais de cinco anos, mais pessoas se arrependeram de ter escolhido o trabalho.

Com base no estudo, a professora de Harvard detectou que grupos nos extremos são raridades, sendo eles os que gastam tudo com prazer ou os que vivem voltados para o trabalho. A maioria de nós está "no meio", segundo Anat, já que "pensamos que é importante o trabalho e ter objetivos e alcançá-los, mas também pensamos em outras coisas", como família, amigos, hobbies etc.

Ela finaliza dizendo que tomar uma decisão fútil hoje pode ser um investimento em uma recordação adorável e em um futuro de felicidade.
 
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