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domingo, 5 de setembro de 2010

Morte e Vida

Na sexta-feira recebi duas noticias envolvendo a morte de pessoas próximas. A primeira foi a do pai de um grande amigo. A segunda foi envolvendo um amigo do ensino fundamental. Durante a noite, fiquei refletindo sobre a morte e a vida, algo que fazemos apenas em momentos como este.

No dia seguinte pela manhã, compareci ao enterro do meu amigo e durante a cerimônia, além da dor da perda, fiquei pensando em todos os momentos que vivemos juntos na escola. É interessante parar para lembrar da sua vida e ver como as pessoas se encaixaram ou encaixam nos acontecimentos que formam a sua história.

Nos dias de hoje, onde dedicamos cada vez mais tempo ao trabalho ou ao nosso "desenvolvimento profissional", acabamos nos esquecendo de nós mesmos, daquilo que é realmente importante para nós. Lá ou ali, no fim da vida, quando estivermos fazendo o balanço daquilo que vivemos é que nos daremos conta de que são as PESSOAS que realmente importam. São nossos amigos e familiares, são as pessoas que conhecemos durante a vida e que compartilharam conosco bons ou maus momentos, são elas e o quanto de amor demos e recebemos que fará que nossa vida tenha valido a pena. Não é o quanto ou onde trabalhamos, nem quantas casas, carros ou mesmo dinheiro temos. Serão aqueles momentos que passamos com nossos amigos, familiares ou mesmo pessoas desconhecidas que fizeram nossa vida ter sentido.

Não podemos nos esquecer que a vida passa rápido. Para alguns, o tempo passa mais rápido ainda. Por isto, pensemos no futuro e nos planejemos para ele, mas sem esquecer de viver o presente. Curtir os amigos, passar tempo com a familia e dedicarmos um pouco de nós às pessoas que não conhecemos e às causas em que acreditamos. Como diz o nome da música do Coldplay, Viva la vida!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O valor do amanhã

Ontem terminei a leitura do excelente livro de Eduardo Giannetti chamado o valor do amanhã. Muitos devem conhecer este titulos pelo quadro que ele teve no fantastico, por sinal, muito interessante. O livro, claro, é melhor ainda.

Oportuno falar em AMANHÃ no primeiro mês do ano (psicologicamente parece que começar um ano renova o espirito humano, ainda que alguns de meus amigos discordem disto). Giannetti aborda com bastante profundidade o tema juros, não apenas sob o aspecto monetario.

O livro está dividido em quatro partes com cinco capitulos cada: As raizes biologicas do dinheiro; imediatismo e paciência no ciclo de vida; anomalias intertemporais; e, por fim, juros, poupança e crescimento.

No prefácio, como de era de se esperar, dá a tônica do livro: "O fenômeno dos juros é, portanto, inerente a toda e qualquer forma de trocan intertemporal. Os juros são o prêmio da espera na ponta credora - os ganhos decorrentes da transferência ou cessão temporária de valores do presente para o futuro; e são o preço da impaciência na ponta devedora - o custo de antecipar ou importar valores do futuro para o presente."

O autor aborda desde as trocas intertemporais realizadas pelo nosso próprio organismo entre presente e futuro, passando por temas como a miopia (valor demasiado ao que está próximo, presente) e hipermetropia temporal (valor excessivo ao amanhã, futuro) com reflexões filosóficas profundas como "A moderação, concluo, tem seu mérito, mas ela também precisa ser moderada. O que se busca não é o tépido equilíbrio - "jamais desejar algo além da medida" -, mas a arte da tensão profícua". Na ultima parte aborda os juros como tradicionalmente costumamos vê-lo.

Por que algumas pessoas e sociedades parecem mais dispostas a esperar, postergando consumo, que outras? Para mim esta é uma das grandes reflexões do texto. Nos últimos dois capitulos, Eduardo discute bastante sobre isto, além de outros pontos. Imediatamente pensei no Brasil e seus altos juros que com dificuldade caem. Imediatamente o consumo explode, os juros sobem novamente. Equação simplificada, é claro, para "justificar" os juros altos. Para mim, o problema vem de longa data e a solução passa por alterações do marco institucional e uma evolução cultural de muitas gerações. No Brasil há um consumo represado gigantesco. Consumir agora, pagar amanhã. Leitura mais que recomendada.

Coincidência ou não, o relatorio de hoje (Empiricus_51) da casa de research Empiricus, aborda o tema objetivamente (como é de costume) com um texto entitulado "linearização". Dizem eles:

Do lado credor, Jonathan e Victor descobrem nossa tendência de subestimar a entrada do valor futuro, dados o valor presente, o horizonte temporal e a taxa de retorno. Do lado devedor, subestimamos o peso de amanhã do Valor Presente contratado agora. Erros explicados pelo que a literatura chama de "viés do crescimento exponencial" (VCE): os agentes não conseguem notar precisamente o declínio (aumento) no consumo futuro resultante de tomar emprestado (poupar) hoje.

Para entender melhor, vamos voltar ao colégio, onde aprendemos que:

Valor Futuro = Valor Presente * (1+i)^T

O termo (1+i)^T, uma função exponencial, representa indivíduos racionais, sem VCE. Já na vida bandida, fica assim: (1+i)^(1-W)*T. Dessa forma, o VCE pode ser descrito por um 0


Sugestão para economizar na compra do livro: novo site chamado memee. Ou no tradicional submarino.
 
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