quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Economia da Energia


Ainda que o nome me remeta a uma disciplina optativa da graduação a motivação deste texto foi o "apagão" energético da noite passada que deixou a maior cidade do país, décima do mundo (em breve seremos mais ricos do que Paris) às escuras. Não tenho a intenção de discutir os motivos técnicos que culminaram com a falta de energia em diversos estados e que afetou até o vizinho Paraguai. Já ouvi sobre pane em Itaipu, problemas na transmissão, atentado venezuelano e até uma tempestade solar. Passado o fato, para nós, não importa mais o motivo.

Como não havia absolutamente nada a ser feito na escuridão da noite de uma terça-feira, comecei a refletir sobre nossa dependência energética. Vez ou outra quando o preço do petroleo vai às alturas, discute-se como nossa dependência do ouro negro influencia nossas vidas. Que sem ele a vida seria muito dificil ou cara. Verdade. Mas já imaginaram se não houvesse mais energia elétrica? Imaginei ontem.

Sem petróleo, o transporte de pessoas e mercadorias ficaria bastante comprometido. Além de dificuldades na produção de tudo que depende de seus derivados. Mas e sem energia elétrica? A vida seria impossível como a conhecemos.

Os geradores não aguentariam mais que algumas horas e toda uma sociedade baseada na informação e comunicação entraria em colapso. Ontem, depois de algum tempo não recebia mais mensagens e nem conseguia efetuar ligações. Internet? Nem pensar. Desligamos os aparelhos eletrônicos da tomada e pela manhã a geladeira estava quase descongelada. Eu estava em casa no notebook na hora, mas imaginem quem estava na rua e tinha que pegar onibus ou metro. Quem trabalha na Zona Oeste e mora na Zona Leste, com os semaforos desligados ou em pane. CAOS!

Resumindo: não há vida moderna sem energia elétrica. Como não houve investimentos nos primeiros anos de governo Lula, não é a toa que estão incentivando a construção de termelétricas. Querem evitar o apagão geral no Brasil. Espero que o apagão de ontem sirva de lição para o que pode acontecer se o setor elétrico for deixado de lado ao casuísmo político.

Se antes já sugeria o posicionamento, ainda que defensivo, em alguma empresa do setor elétrico (minhas preferidas são CPFL e Tractebel), agora ficou evidente que manter-se posicionado no setor é uma questão estratégica.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dá-lhe IOF nos estrangeiros

Hoje (19/10), ao chegar em casa após um dia cansativo de treinamento, vejo a noticia de que o governo resolveu taxar a entrada de capital estrangeiro para investimentos em bolsa e renda fixa. A aliquota será de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) logo na entrada do dinheiro.

Se bem entendi, se o investidor trouxer R$ 100 (já covertidos) deixa R$ 2 para o governo. Considerando que as taxas de juros no mundo estão abaixo de 1% ao ano nas principais economias (1% na Europa, 0,5% na Inglaterra e 0,25% nos EUA), esta aliquota é um pesado desincentivo para "especular" com o Brasil. Agora, se o estrangeiro vem com a intenção de médio e longo prazo, estes 2% não são nada. Continuarão vindo ainda que mais lentamente.

Particularmente, não gosto deste tipo de medidas. Ora isenta o capital estrangeiro. Ora o taxa. Começa a vir muito, eleva imposto e assim vai "brincando" com os investidores estrangeiros, que de bobos não têm nada. Uma hora eles se enchem e saem correndo do Brasil. Se levarem USD 20 bilhões como no ano passado, a bolsa vai lá para os 30 mil pontos. Claro que exagerei um pouco na análise, mas em linhas gerais é este problema de imagem, credibilidade e desconfiança que estes tipos de medidas geram. Nunca se sabe o que o governo brasileiro pode fazer. De uma hora para a outra pode mudar tudo.

A justificativa do Mantega foi a seguinte: "Há um excesso de aplicações de estrangeiros e nós não queremos ver uma bolha se formando na bolsa". O mais estranho é que na sexta o Lula afirmou: "Estou há três dias viajando. Vou voltar no final de semana e não tem nenhuma previsão de fazer qualquer taxação em lugar nenhum". Quem acredita ainda neste governo? Ou neste país?

Veremos se no curto prazo o governo terá "exito". Frear a forte apreciação do real e evitar a formação de uma bolha(?). Se depender do after market de hoje com recorde de negociação é provavel que o governo consiga algo no curto prazo. Os próximos pregões dirão. E eu vou estar viajando.

sábado, 17 de outubro de 2009

Santander: aposta e decepção


No dia 07 de outubro as units do banco Santander (SANB11) começaram a ser negociadas na Bovespa. A expectativa era grande para o maior IPO do ano no mundo. As ações foram precificadas a R$ 23,50 dentro do intervalo inicial. Uma ala do mercado, na qual me incluo, estava bastante otimista com a oferta publica ainda que a precificação gerasse multiplos superiores aos principais bancos nacionais (Bradesco e Itau Unibanco). A outra ala considerava o Santander caro demais.

Os que acreditaram numa rápida e forte apreciação motivada pelo potencial do banco e o bom humor internacional se decepcionaram. Os céticos, ou os que achavam que estava caro, regozijaram-se ao ver as ações despencando logo no primeiro dia e comentaram: "Eu já sabia", "Te avisei que estavam caras". Falar do passado é sempre fácil.

Para o investidor dententor das ações a unica boa noticia era que o rateio para o varejo foi alto e apenas 8,16% da reserva foi atendida mais R$ 3.000. Foram poucas ações.

O mercado abriu próximo das 10:30. O papel começou caindo, deu um repique até os R$ 23,60 e reverteu indo ladeira abaixo. Quase na mínima do dia compramos um pouco mais aguardando um repique no dia seguinte.

Aqueles que reservaram para vender no primeiro dia assumiram prejuizos. Não era o nosso caso. Queriamos manter o papel por um tempo em carteira mas diante do pessimo início decidimos aguardar alguns dias para ver como o mercado reagiria.

Para nossa surpresa, enquanto o indice subia forte, a ação despencava. No pior momento bateu nos R$ 22 (pobre dos que venderam). Nos dias seguintes a ação se recuperou um pouco oscilando entre os R$ 22,5 e os R$ 23. Durante 3 dias o papel bateu nos R$ 22,99 e voltou. O mercado continuava subindo.

O desejo de se desfazer do papel crescia. Nossa carteira estava concentrada em Santander e estavamos vendo o mercado subir e nossa ação cair. Diante da dificuldade em acompanhar uma ação sem historico, apresentando quedas enquanto o mercado subia (imagina se houvesse uma realização geral) e uma aparente sobrecompra do índice, decidimos vender os papéis para realocarmos a carteira.

A ordem de venda foi dada na quarta (14/10) com validade até sexta (16/10) ao preço máximo atingido na semana de R$ 22,99 que aparentava ser uma forte resistência.
O que aconteceu no dia seguinte? A ação se valorizou fortemente deixando a resistência para trás e fechando próximo aos R$ 23,40, acima do nosso break even de R$ 23,17. Já era tarde. A ordem tinha sido executada a R$ 22,99.

Na sexta a ação bateu nos R$ 23,70 e voltou para fechar a semana a R$ 23,40. O resultado da operação ficou em 1%, não sendo de todo ruim, mas a rápida resposta do mercado 1 dia após a ordem de venda foi como um tapa na cara. Olhando depois do termino da semana seria fácil dizer para ter esperado até sexta e vendido. Mas e se a bolsa tivesse realizado forte e a ação despencado? O prejuízo seria muito maior.

Abaixo segue o gráfico (bloomberg) da SANB11 até as 14h de sexta (16/10). Façam suas análises e tirem suas conclusões.

 
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