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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Álbum da Copa

Este fim de semana consegui completar meu album da Copa. Fui visitar meus pais em Campinas e aproveitei para ir ao centro trocar as ultimas duas figurinhas que faltavam: 430 e 440, duas do Paraguai.

Para alguns, o album é uma besteira. Desperdício de dinheiro e de tempo. Brincadeira de criança rica ou de adulto sem nada para fazer. Particularmente, vejo totalmente diferente. Para nós adultos, é um passa-tempo, um hobby. Uma forma de se envolver ainda mais com a Copa, analisando os times, vendo quem são os jogadores. Além disto, permite a confraternização. Quantas pessoas eu conheci dentro e fora da empresa trocando figurinhas. Era muito engraçado e divertido ver alguns gerentes e diretores parando nas mesas para trocar figurinhas. As planilhas de excel pra lá e prá cá com as listas de repetidas e as que faltavam. Sob o meu ponto de vista, vale os pouco mais de R$ 100 gastos. Fora que é um trofeu, para guardar e mostrar para os filhos. Já tenho dois, 2006 e 2010.

Para as crianças, além da diversão é uma excelente forma de educação. Colecionando figurinhas, podem aprender o valor do dinheiro, da oferta e da demanda por determinados jogadores ou simbolos (as prateadas). Aprendem como se relacionar em busca do que querem (trocando as repetidas) e os pais podem passar ainda alguns valores eticos e morais como não explorar os amigos trocando N por uma, por exemplo.

Olhando sob o ponto de vista da educação infantil, duas situações dentre outras me chamaram a atenção. A mais recente foi no domingo em Campinas. Havia um adulto que tinha centenas de figurinhas na praça e estava "trabalhando" nas trocas. Eram no minimo duas figurinhas para cada uma. Eu, particularmente, não troquei nenhuma com ele, embora tenha acessado outro senhor mais tarde quando faltavam apenas 3 figurinhas para o album da minha prima. Em um determinado momento, uma criança estava passando a lista para ele e selecionou 24 figurinhas. Então ele disse: "Bem, eu tenho 24 das que voce precisa, então você precisa me dar 48". Imediatamente o garoto comentou a contar suas repetidas e o pai interveio: "Filho, você quer mesmo fazer esta troca? Você quer dar 48 figurinhas suas em troca de 24? Você acha justo isto? Olha quanta gente trocando 1 X 1 ou apenas ajudando outras pessoas". Então o filho disse que não queria mais trocar e pai e filho foram em busca de outras pessoas.

Em outra situação ilustrativa, conheci um garoto de 11 anos que tendo melhores condições financeiras que a média, completou seu album rapidamente investindo uma soma consideravel de dinheiro. Acabou com centenas de figurinhas repetidas. O que ele fez? Foi para a escola e começou a negociar as figurinhas de acordo com a demanda dos amigos e colegas. Arrecadou por volta de R$ 200 na negociação. Depois ele gastou este dinheiro como? Ele doou o dinheiro para uma instituição de caridade.

Álbum agora, daqui a 4 anos, Copa do Mundo no Brasil. Completarei meu terceiro album seguido, sem precisar recorrer diretamente a Panini.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Tudo sobre finanças pessoais

Neste fim de semana, li um artigo muito bom resumindo em 5 cards (site americano, eles são fascinados por cards) tudo o que voce deveria saber sobre finanças pessoais. Tirando uma coisa ali, acrescentando um pouco mais, eu diria que os 5 itens conseguem abranger de forma brilhante o que é necessário saber sobre finanças pessoais. E mais: corrobora a tese de simplicidade.



O texto original pode ser visto no site the simple dollar.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Madofi ganhou na mega sena

Abaixo segue uma interessante historia de vida e a importancia do conhecimento financeiro. Parabens ao Waldir pelo excelente texto.

Marco Donostio Filho teve uma infância e juventude bem aventurada, seu pai, migrante italiano, foi um cafeicultor que até os anos 90 viveu um bom período de prosperidade. Esta prosperidade propiciou à família um padrão de vida de classe alta, todos os filhos de Marco Donostio estudaram em boas escolas, mas infelizmente no ano de 1989, uma geada acabou com os cafezais. Marco foi obrigado a pegar empréstimos em bancos e acabou por se afundar em dívidas que o levaram a vender a fazenda de café e ficar com um pequeno pedaço de terra para dar sustento a seus quatro filhos e esposa, interrompendo assim, o prosseguimento dos estudos de seus filhos. Marco Donostio Filho, o mais velho da prole, à época estava se preparando para ingressar na Universidade de Agronomia. Teve que abandonar o cursinho preparatório por falta de recurso, passando a ajudar seu pai na lavoura e no sustento da família.

Foram tempos difíceis.

Os anos se passaram, Marco Donostio Filho se casou, constituiu uma família com três filhos, dois homens e uma mulher e depois que seu pai faleceu e seus irmãos seguiram outros caminhos, foi trabalhar e ser caseiro de um haras, levando sua família e sua mãe. Seu patrão se chamava Marco também, Donostio era um nome muito difícil de ser pronunciado pelos peões e Filho não soava bem, foi então que a peãozada criou o apelido pelo qual era conhecido até mesmo pelos patrões, Madofi. Quando surgiu o escândalo do Madoff americano, foi motivo de muitas piadas e gozações de alguns amigos de seu patrão que frequentavam o haras.

A vida melhorou um pouco, seu patrão era um bem sucedido participante do mercado financeiro e isso lhe propiciou nos finais de semana e feriados, ouvir conversas de frequentadores do haras sobre mercados e investimentos.

"Investimentos mágicos não duram para sempre, O Madoff norte-americano que o diga!"Interessou-se tanto pelo assunto que pediu permissão ao patrão para usar o computador e a internet nos dias de semana para estudar e realizar algumas pesquisas.

Madofi costumava fazer sua fezinha na mega sena, jogava sempre os mesmos números, a idade de seus filhos, 15, 13 e 6, a idade de sua esposa 37, sua idade 43 e, como não tinha o número da idade de sua mãe, 80, jogava o ano de nascimento, 28. Jogava sempre esses números e mais duas combinações na surpresinha.

Numa tarde chuvosa de uma segunda-feira estava arrumando uns papéis e contas para pagar, resolveu conferir sua aposta. Quando viu os números, 9, 13, 16, 26, 42 e 46, pensou que mais uma vez não tinha feito nem um terno, mas quando conferiu toda aposta viu que acabara de ganhar R$ 25 milhões e alguns trocados. Naquele concurso da mega teve apenas um ganhador e foi Madofi.

A partir deste dia Madofi passou a ter um grande problema a resolver: Como ajudar seus irmãos, sua família, tios e tias e construir um conforto financeiro para o futuro de seus filhos?
Se não tomasse cuidado, gastaria tudo rapidamente, investiria em negócios mal sucedidos e voltaria onde estava há até poucos dias atrás.

Pensou no insucesso como agricultor de seu pai, nas conversas que costuma ouvir dos visitantes do mercado financeiro no haras, e então, decidiu por conta própria aprender sobre investimentos usando a internet.

Deixou quase todo o dinheiro do prêmio aplicado na CEF, pediu sigilo total e foi estudar a melhor forma de investir. Apesar de só ter completado o segundo grau nos estudos adquiriu uma experiência de vida que não lhe permitiria cometer os erros que muitos investidores cometeram nos últimos tempos e Madofi acompanhou pela internet e nas conversas dos amigos de seu patrão.

Seis meses depois, aprendeu muita coisa sobre investimentos, ficou fascinado por juros compostos e seduzido por aplicações em bolsa de valores.

Chegou então a hora de aplicar os conhecimentos, e o dia não poderia ser mais propício: 22 de julho de 2009, data da divulgação da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o chamado Copom.

Por tudo que Madofi aprendeu com a vida, com a quebra de seu pai, tudo que leu, ouviu e estudou e a observação dos últimos acontecimentos econômicos, sabia que essa reunião do Copom era importante, mas não fundamental para definir seus investimentos.

Comprar CDBs de bancos não iria. Outro dia esteve em um banco assuntando investimentos e o gerente recomendou que comprasse CDB, que agora tem uma garantia do governo federal ou então aplicasse em alguns fundos de investimentos.

Madofi pensou: oras, se a garantia do CDB é dada pelo governo federal a aplicação em títulos do governo é muito mais garantida. Se meu ex-patrão e seus amigos ganham comissão para administrar o dinheiro dos outros é porque quem aplica com eles não estudou o tanto que estudei para aprender, deixam para os outros aplicarem seus recursos por falta de conhecimentos - Tou fora! - frase que costumava ouvir a beira da piscina do haras quando um "figurão" daqueles dava uma recusa.

Depois de acompanhar o debate, que estranhamente saiu da mídia, sobre a rentabilidade da poupança e a dos demais investimentos com a queda na taxa básica de juros, Madofi já estava decidido.

Iria aplicar R$ 5 milhões em ações, 60% em Petrobras e 40% em Vale do Rio Doce, não quer muito risco por não precisar correr desesperadamente atrás de uma fortuna que ele já possui, mas também quer investir em bolsa em longo prazo, para acompanhar de vez em quando e por acreditar nessas duas empresas de futuro promissor. Dos R$ 15 milhões restantes, R$ 4 milhões usaria de imediato para ajudar seus familiares e comprar uma pequena propriedade para realizar seu sonho de ter um cultivo de pimentas para comercializar.

Os R$ 11 milhões vão para os investimentos mais seguros e rentáveis que avaliou: R$ 3 milhões em LTNs, com vencimento em 01/07/2011 a taxa de 10,50% ao ano; R$ 8 milhões em NTN-B com vencimento em 15/08/2024 a taxa de IPCA, mais 6,40% ao ano.

Se educando financeiramente Madofi descobriu muita coisa.

Descobriu que não existem investimentos com retornos mágicos.

Que rendimentos passados não são parâmetros para avaliação de rendimentos futuros. E o mais importante, que o deixou muito surpreso, foi o fato de se discutirem tanto sobre tributação, taxação da poupança, taxa de administração de recursos e outros assuntos relacionados ao novo patamar do juro básico e uma aplicação como em NTN-B ainda render inflação mais 6,40% ao ano por um prazo tão longo e com garantia federal.

Se por um infortúnio ele perder os R$ 9 milhões que investiu em bolsa e na propriedade, for obrigado a gastar os cerca de R$ 3,5 milhões aplicados em LTNs, em 2024 ele terá seus R$ 20 milhões, mais a inflação do período corrigida, no resgate da NTN-B em 2024.

Madofi ficou feliz com seus investimentos, no entanto, ao se tornar uma pessoa mais lúcida em relação à realidade financeira brasileira, ficou um tanto aborrecido e questionou:

Como pode um país remunerar uma aplicação financeira a uma taxa tão alta, por tão longo tempo como as aplicações em NTN-Bs?

Como pode o setor bancário cobrar um juro tão alto na taxa de empréstimos?

Com uma taxa de juros deste tamanho por um período tão longo só investe na produção quem quer correr muitos riscos. E com uma taxa de empréstimos desta magnitude mais dia menos dia, numa crise dessas qualquer, os emprestadores não vão receber de ninguém, pois quem toma empréstimo a mais de 100% ao ano é porque tem grande chance de quebrar.

Investimentos mágicos não duram para sempre, mais hora menos hora, vão todos pro vinagre, O Madoff norte-americano que o diga!

Há 35 anos no mercado financeiro, Waldir Kiel Junior é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
waldir.kiel@infomoney.com.br

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Educação Financeira - Mesadas

No Jornal Regional de hoje, a equipe da EPTV de Campinas preparou uma matéria bastante interessante sobre a Educação Financeira dos filhos. Convidou algumas crianças de 11 a 12 anos, além de adolescentes, uma psicóloga e um economista. Foi o incentivo que faltava para eu iniciar a abordagem sobre este tema no blog. A Educação Financeira é uma de minhas grandes paixões e pretendo investir meu esforço na realização de projetos nesta área.

Pois bem, a base da matéria constituiu-se na Mesada. Como a mesada dada pelos pais ou familiares contribui (ou prejudica) no aprendizado financeiro dos filhos. Foram apresentados jovens que gastam tudo que lhes é dado enquanto outros conseguem poupar para a aquisição de bens. Tanto a psicóloga quanto o economista apresentaram seu apoio no uso da mesada como forma de educar financeiramente os filhos, desde que a família ORIENTE e ACOMPANHE as crianças no uso deste dinheiro. É fundamental que a família participe na gestão da mesada, discutindo onde o filho pretende gastar, o que significa aquele montante, ajudando na poupança de certa quantia, etc. Ainda destacam que além da mesada existem muitas outras formas de complementar a educação financeira tais como levando os filhos para o supermercado e discutindo a lista de compras ou ainda a realização/cancelamento de viagens e passeios em função das restrições familiares, dentre outros.

Sem dúvida alguma a mesada é uma excelente forma de aprendizado pois é através da prática que a criança se familiarizará com o dinheiro. Foi assim comigo. Lembro-me que comecei a ganhar minha mesada no início do plano real. Algo como R$ 20,00 e foi crescendo R$10,00 a cada ano até o final da oitava serie, 1998. Antes disso eu tinha uma poupança, mas era compulsória. Meus parentes depositavam e eu não podia mexer. Então, parte do dinheiro da minha mesada eu gastava e parte eu poupava para comprar alguma coisa de maior valor. Lembro-me que minha maior aquisição foi o Super Nintendo, na época custava R$ 180,00. Vocês podem imaginar o esforço que eu tive que fazer para adquirir este vídeo game.

Mas só a mesada não basta. A orientação e o acompanhamento dos pais é fundamental. E é aqui onde reside o problema. Poucas são as crianças que têm a felicidade de poder contar com a participação dos parentes de forma ativa e eficiente. Num país onde a maior parte da população mal consegue ler um texto, tratar de assuntos que envolvam finanças é extremamente complicado. Podemos ver isto todos os dias na rua. Pessoas seduzidas por compras parceladas com juros altos e parcelas pequenas nas compras dos mais diferentes itens: eletrodomésticos, carros, imóveis. Além disto, vemos milhares de pessoas com problemas nos cartões de créditos, cheque especial, cheques sem fundo. Já algumas um pouco melhores conseguem guardar algo na poupança e acabam não investindo em produtos mais rentáveis por puro desconhecimento. Como exigir que as crianças saibam como administrar suas mesadas se o exemplo que deveria vir de casa é insatisfatório ?

Aqui entra a Educação Financeira nas escolas. Lá a criança poderá aprender conceitos do mundo das finanças como planejamento, juros, alternativas de investimento, etc de uma forma lúdica, didática e também prática, pois certamente envolverá assuntos do cotidiano como mesada, compras de video-game, jogos, viagens e por aí afora. As possibilidades são vastas.

Poucos países no mundo contam com programas de Educação Financeira nas escolas (ou formas de) mas a cada dia as pessoas se dão conta da importância de entender de finanças para administrar sua própria casa. Nomes de peso como Allan Greenspan (The Importance of Financial Education Today, 2005) já destaracam a relevância deste tema nos dias de hoje.

Felizmente o Brasil também vem caminhando nesta direção. Já existem alguns projetos em andamento em algumas escolas, colégios, cooperativas mas nada oficializado ainda. Nesta linha, o Banco Central e a Comissão de Valores Imobiliários vêm discutindo um programa de inclusão da Educação Financeira nas escolas públicas. O Estado de São Paulo, através do deputado André Soares, também discute a inclusão de uma disciplina obrigatória para o Ensino Médio. Iniciativas louváveis, mas que dado o histórico de nosso país, tardarão anos para entrar em ação. Assim, acredito que as iniciativas privadas poderão ter efeito transformador maior no curto prazo.

Este ano, junto com um grupo multidisciplinar de pessoas interessadas no assunto, pretendemos bolar algo de concreto para a implementação de um programa de Educação Financeira nas escolas. Caso tenha interesse em participar ou saiba de iniciativas neste sentido, entre em contato comigo (bruno.massera@gmail.com)

 
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