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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

5,2%; 6º e € 489,191

No Brasil, a taxa de desemprego registrou seu menor valor da serie histórica em novembro: 5,2% sem ajuste sazonal! Há algumas casas estimando desemprego abaixo de 5% em dezembro. No começo do ano o desemprego deve voltar a subir com o fim dos trabalhos temporários, mas estamos diante do melhor momento do mercado de trabalho da ultima década. A massa salarial segue firme, ainda que sem grandes alterações na margem. Com o aumento do salário mínimo e a dificuldade de contratação de mão de obra, o mercado de trabalho em 2012 deverá continuar suportando a demanda das famílias.

Na segunda-feira, uma consultoria britânica chamada CEBR divulgou que o Brasil ultrapassou UK em 2011 assumindo a 6º no ranking das maiores economias do mundo. BBC assim divulgou: Brazilian economy overtakes UK's, says CEBR. Noticias boas no Brasil suportam um certo otimismo para 2012, ainda que a situação externa impeça um cenário de euforia.

Já no front externo, o Banco Central Europeu realizou o maior leilão da historia. Ofertou € 489,191 bi para 523 instituições financeiras a 1% ao ano pelo prazo de 3 anos. Comprou tranqüilidade neste fim de ano, afinal, as autoridades européias também merecem um descanso para celebrar o ano mais tumultuado da historia do euro. Os bancos responderam depositando um volume recorde de € 412 bi no overnight do ECB. Afinal, os tesoureiros também querem tranqüilidade. Como todo mundo quer tranqüilidade, pouca coisa deve mudar nesta ultima semana do ano.

Já os 2 primeiros trimestres de 2012 prometem ser agitados na Europa. Os vencimentos e rolagens das dividas soberanas em conjunto com o processo de capitalização dos bancos europeus trará bastante volatilidade ao mercado. Na Espanha, o novo governo já prevê recessão.

Alias, me chamou a atenção a diferença de postura e discurso das autoridades de governo espanholas e brasileiras. Se por aqui, Mantega afirma que o pais crescerá entre 4% e 5% enquanto as previsões do BC e do mercado não passam de 3,5%, na Espanha o ex-presidente Zapatero acredita que 2012 será “un año con dificultades todavía serias” e estima que apenas em 2013 a economia poderia apresentar “síntomas de recuperación”. Por sua vez, o recém empossado ministro da economia Luis de Guindos antecipa que Espanha entrará em recessão nos próximos 2 trimestres: "Los dos próximos trimestres, que nadie se engañe, no van a ser sencillos ni para el PIB ni para el empleo”. Gerenciamento de expectativas, credibilidade e transparência na comunicação.

O ano de 2012 será bom para o Brasil, com um começo difícil para a Europa mas com perspectivas boas para o final do ano e inicio de 2013.

FELIZ ANO NOVO e que 2012 seja um ano excelente para todos nós !!!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quem vai viajar para a Argentina?

As noticias não são nada boas para quem vai viajar para a Argentina... estamos no pior momento do ano para quem tem BRL (reais) e quer comprar ARS (peso argentino). Com a desvalorização do BRL frente ao USD, o poder de compra da moeda brasileira diminuiu. Em 31/08, 1 BRL comprava 2,642 ARS, mas agora compra apenas 2,264 ARS. A moeda brasileira desvalorizou 14,3% em relação ao peso argentino, bastante em linha com a desvalorização do real contra o dólar.

Como a situação econômica mundial e sobretudo a européia ainda está muito incerta, melhor não deixar para comprar USD ou ARS dias antes de viajar. Aproveite a valorização do real e vá comprando aos poucos. A tendência é que a situação melhore até o final do ano mas um evento inesperado (a quebra de algum grande banco europeu, por exemplo) pode acontecer até lá. Melhor garantir a viagem mesmo pagando um pouco mais caro pelo vinho, churrasco e tango argentino.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Espanha e Itália sob ataque

Passei estes últimos dias e a noite de ontem tentando entender o movimento do spread dos títulos espanhóis e italianos. Os títulos de 10 anos da Espanha superaram os 400 bps com relação aos alemães, atingindo o pico histórico desde a criação do euro. Por quê? Espanha e Italia caminhariam para a insolvência na esteira de Grécia?

Particularmente não acredito nisto. Acredito que a situação Italiana seja ainda um pouco pior que a espanhola mas ambas são gerenciáveis. A relação divida/PIB na Espanha está abaixo de 70% e o governo tem adotado medidas duras para reduzir o déficit que continua alto mais em uma trajetória de queda. Mas e quanto a capacidade do Reino da Espanha de financiamento? Em minha opinião os custos subiram consideravelmente no curto prazo muitos mais por questões especulativas que estruturais. Os investidores forçam até onde podem para ver até onde as autoridades européias podem ir. E digo, elas podem ir longe, se quiserem. Com baixa liquidez em virtude das férias, os movimentos se tornam mais acentuados. Hoje a Espanha completará a única captação no mês de agosto e mesmo com as taxas em níveis recordes (acima de 6% para 10 anos), acredito que a demanda superará a oferta mesmo porque os 12 bancos que participam da emissão são obrigados a comprar cada um 3%, ou seja, 66% do total estão garantidos. Destes, 7 são espanhóis.

Mas e a economia espanhola com uma taxa de 20% de desemprego não está em maus lençóis? Sim e não. Historicamente a taxa de desemprego na Espanha é alta. Em 2008, quando estudava e morava lá pude entender um pouco melhor que a cultura, a família e a economia espanhola suportam taxas de desemprego mais altas. É claro que 20% preocupam mas não é o fim do mundo, ainda mais quando as ultimas estatísticas mostram melhora na margem neste indicador. Por outro lado, a Espanha tem uma economia bastante diversificada com grandes bancos e empresas muito internacionalizadas. Eu diria que eles se aproveitaram muito bem dos anos de vacas gordas para se espalharem pelo mundo.

Mas e os problemas políticos? Verdade. Zapatero perdeu a maioria no Congresso e convocou eleições antecipadas. Vimos como recentemente a política pode influenciar na economia pelo que aconteceu nos EUA. Certamente o governo perde agilidade e capacidade de atuação mas a sociedade não deixará de avançar nos temas essenciais até o final do ano.

Deste modo, considero este ataque especulativo à Espanha e Italia como passageiros. Continuaremos presenciando problemas quanto a situação fiscal na Europa sobretudo nos países periféricos mas em 2011 a chance de default por parte destas duas economias é mínima. O BCE, por sua vez, deve dar uma pausa na subida de juros frente a desaceleração na recuperação da demanda mundial. Logo, continuo trabalhando com um EUR valorizado frente ao USD até o final deste ano. Oscilações são, obviamente, naturais e esperadas.

Nos EUA, o USD seguirá fraco e os juros baixos. A economia não consegue deslanchar. Entretanto a Treasury para 10 anos abaixo de 2,7% me parece um pouco exagerada ainda que exista uma grande possibilidade do FED manter os juros baixos até final de 2012.

O BRL seguirá forte até o final do ano entretanto é difícil mensurar como nossa moeda se ajustará em um cenário de retirada de estímulos nos EUA e uma recuperação mais forte da economia americana. A tendência natural da moeda brasileira face a estrutura micro e macroeconômica é de desvalorização. É como lutar contra a gravidade. Você não pode vê-la, mas ela existe e você sabe que no final, não pode vencê-la. São as leis da natureza. Precisamos ser cuidadosos na crença que o BRL seguirá valorizando ininterruptamente. Lembremos de 2008 quando o BRL estava próximo deste patamar e os agentes acreditavam que a moeda seguiria valorizando e as apostas vendidas seguiram crescendo. Os fluxos internacionais secaram, o credito barato sumiu e o BRL explodiu. Hoje as condições são outras mas a historia nos ensina a ter cautela.

Para fechar com um trecho do texto do Belluzzo de ontem no valor: “A racionalidade microeconômica, é verdade, só realiza seus desígnios enquanto mergulhada no “consenso altista” que induz os protagonistas privados a acreditar na valorização continuada da taxa de câmbio. Diria um keynesiano de boa cepa que no mercado de câmbio brasileiro as expectativas altistas são largamente predominantes ... Os surtos eufóricos de liquidez fácil e de endividamento externo – acompanhado de elevação dos preços dos ativos (inclusive câmbio) – são seguidos de “crise de confiança” e ajustamento recessivos. Infelizmente, os movimentos de capitais são e sempre foram pró-cíclicos, para desgosto dos que acreditam em Papai Noel ou em modelos mais tolos do que inúteis.”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Medo"

Quando eu leio uma chamada destas na UOL e em outros jornais "menos especializados", admito que me assusto.

Dólar cai para R$ 1,675, menor cotação em 2 anos


Dado todo o cenário macroeconomico brasileiro e mundial, não causa espanto o dólar atingir o menor patamar em 2 anos após o Ministro da Fazenda anunciar ao mercado uma medida justamente para limitar a apreciação do real?

Mesmo considerando que o dólar está perdendo valor em todo mundo com o euro e libra recuperando parte do valor perdido durante o começo do ano com a crise fiscal europeia, o Japão reiniciando operações para conter a apreciação da moeda e a China continuando a aumentar suas reservas, eu não vendo dólares neste nível. Pelo contrário, compro!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Euro e Libra

Trabalhando com gestão de hedge de moedas diariamente, não dá para deixar passar em branco o momento atual. "Nunca antes na história deste país", a libra esteve em um patamar tão baixo. A cotação libra / real está em R$ 2,60. Sim, não está errado. Não é a cotação do dólar, nem do euro, mas sim da libra.

Os ingleses que visitam o Brasil estão "abismados" com os preços. Os brasileiros no Reino Unido acham tudo "barato". Apenas para lembrar que a cotação seguiu entre os R$ 4 e R$ 5 por um bom tempo. Triste devem estar os brasileiros trabalhando na Inglaterra com as contas cheias de libras.

A cotação euro / real não está muito diferente.: R$ 2,20. É isto mesmo. Este valor parece a cotação do dólar no ano passado. Aos europeus trabalhando no Brasil, minha recomendação é vender reais e comprar euros, transferindo um pouco da riqueza para a Europa. Aos brasileiros, vamos aproveitar para explorar o velho continente.

Mas Bruno, você vem recomendando a compra de euro desde os R$ 2,60. Por que não esperar mais? Justamente por isto. Se a R$ 2,60 o euro parece barato, imagina aos R$ 2,20. Mas não pode cair mais? Sim, pode. A situação na Europa e na Inglaterra continuam criticas.

Como ninguém tem bola de cristal, a estratégia é ir comprando aos poucos, aproveitando a continua desvalorização do euro e da libra. Até quando isto vai persistir? Sinceramente, não sei, mas enquanto isto perdurar vamos aproveitar. A história mostra que os movimentos de moedas são rápidos e fortes. Melhor estarmos sempre preparados. "Deus salve a rainha!"
 
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