sábado, 2 de maio de 2009

Livro: Terapia Financeira

O livro escrito por Reinaldo Domingos tem uma leitura fácil e rápida. Direcionado àqueles com dificuldades financeiras, apresenta um método criado pelo proprio autor denominado DiSOP, termo utilizado para abreviar quatro palavras (e fases): Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar.

O autor conseguiu sintetizar bem os passos necessários para superar um periodo de dificuldade financeira, chegando ao final, inclusive a poupar. De devedor a poupador em 4 fases. A metodologia é simples, porém eficaz, inclusive com o dinheiro de volta caso você não fique satisfeito com o livro.

Na primeira parte, diagnosticar, o autor ensina como identificar para onde o dinheiro está indo, quais são os gastos, qual seu padrão de vida. Ele começa com o subtitulo de "Descubra suas fragilidades em relação ao dinheiro". O diferencial aqui é que para a definição do padrão de vida, ele retira obrigatoriamente 10% como forma de retenção. Ou seja, você deve aprender a viver com apenas 90% de sua renda líquida. Somente depois de você identificar exatamente onde você está gastando seu dinheiro e qual seu padrão de vida possível, é possivel passar para os proximos passos.

Sonhar: eis o segundo passo rumo a independencia financeira, de acordo com o autor. Partindo da premissa de que o ser humano é movido por desejos, sonhar é a mola propulsora da vida.Assim, você deve ser capaz de realizar seus sonhos, adquirir aquilo que tem vontade, do contrario, você não será feliz e muito menos conseguirá manter seu equilibrio financeiro. Em um determinado momento, você terá uma atitude compulsiva e se endividará. Por isto, se planejar para realizar seu sonho é fundamental. Além daqueles 10% de retenção, você deve separar uma quantia factivel para a realização de seu sonho dentro de um prazo que não inviabilize manter sua situação financeira equilibrada. O carro ou a casa financiada tambem deve ser deduzida da renda liquida. Ao final, você terá o dinheiro para adequação do seu padrão de vida.

Em seguida, vem a fase de Orçar. Levantar suas dividas, seus compromissos, analisar os gastos identificados na primeira fase e se planejar para atingir o equilibrio financeiro. Você deve adotar uma estrategia para saldar as dividas, calculando um montante que você pode separar de sua renda mensal liquida para arcar com as dividas. Então, você poderá entrar em contato com os credores tentando negociar as dividas e fazendo com que elas caibam no orçamento. Eles tem interesse em receber e você quer pagar. O autor sugere ainda, que talvez você possa utilizar a parcela destinada ao seu sonho, para arcar com as dividas, desde que este seja realmente seu sonho.

Por fim, poupar. O desejo da maioria da população e que de fato poucos conseguem. Aqueles 10% utilizados como retenção e não explicados inicialmente são a "semente de sua independência financeira". O autor apresenta alguns conceitos sobre juros, poupança, previdencia privada, a importância de comprar melhor, uso de cartão de crédito, outras opções de investimento de curto, médio e longo prazo para perfis diferentes de investidores.

Como conclusão, o autor traz palavras de motivação e um quadro resumo da metodologia DiSOP com as principais idéias para Diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. Ele termina o livro com a frase, "E acredite: VOCÊ PODE!". Isto me lembrou o slogan da campanha de Barack Obama. Nada mais verdadeiro em se tratando de conseguir a independencia financeira. Não importa o quanto você ganha, mas muito mais de como você administra seu dinheiro. Neste caso, o poder está em nossas mãos. YES, WE CAN.

sábado, 25 de abril de 2009

O facticius da poupança

A poupança é o "produto financeiro" ou forma de aplicação mais popular que existe no Brasil. É praticamente impossivel conhecer alguem que desconheça a poupança. Logo, fazer qualquer tipo de alteração nesta modalidade de aplicação causa reações imediatas no público. Lembremos do "confisco" no Plano Collor. A poupança virou um fetiche, facticius em latim.

Com a redução recente da SELIC (conhecida como a taxa básica de juros para a economia), a atratividade da poupança aumenta. Com a crise financeira internacional e a desaceleração da economica brasileira, a tendência é que a SELIC seja reduzida ainda mais e atinga a casa de um dígito. Para que a redução da SELIC possa continuar é necessario que a rentabilidade da poupança seja alterada. Por que? Hoje a SELIC está em 11,25%. Com expecativa de corte de 1% na próxima semana, chegria aos 10,25%. Neste nível a poupança já se tornaria mais atrativa do que os fundos que cobram mais de 3% de taxa de administração.

Sendo mais atrativa, haveria uma migração de recursos dos fundos para a poupança. Com dificuldade para se financiar vendendo títulos, o governo encontraria um nivel minimo de rentabilidade pelo qual não conseguiria passar. O mercado estima que este mínimo esteja próximo aos 9%.

Ceteris paribus, tudo o mais mantido constante no "economês", não é interessante para as instituições financeiras esta migração em massa para a poupança pois haveria uma forte perda de receitas das taxas de administração dos fundos de renda fixa.

Para os aplicadores, a migração reduziria a perda de rentabilidade uma vez que a rentabilidade mínima da poupança é de 6% ao ano, livre de impostos. Com a alteração, a rentabilidade seria reduzida, criando desistimulos a esta migração.

Por fim, para o governo os efeitos são ambiguos. Deixando a poupança como está, o governo teria dificuldades em abaixar os juros, bem como financiar sua divida. Além disto, perderia a receita do imposto de renda gerada pelos fundos. Por outro lado, aumentariam os recursos para o crédito habitacional.

Mexer neste vespeiro pode ser perigoso politicamente pois desgastaria a imagem do presidente "mais popular do mundo". Imaginem, "Lula mexe na poupança e reduz os ganhos dos trabalhadores".

Basicamente há 3 idéias de como alterar a rentabilidade da poupança: 1) alterar a TR; 2) atrelar a rentabilidade a SELIC ou 3) definição periodica da rentabilidade por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN). Alterar a TR impacta diretamente nos custos do financiamento habitacional, tornando mais barato ou mais caro. As duas outras opções trariam muitas incertezas para os aplicadores, reduzindo a tradicional "segurança" da poupança.

Aos finalmente, ganha força a ideia de trabalhar com rentabilidades diferentes para determinadas faixas de valores. Como 90% dos aplicadores tem menos de R$ 20 mil aplicados, a ideia seria deixar uma rentabilidade maior até esta faixa e reduzir para os valores maiores, incentivando a aplicação nos titulos do governo e fundos de renda fixa. A cada dia, uma alteração estrutural no sistema de poupança torna-se mais necessária caso a economia realmente caminhe para uma taxa de juros de equilibrio mais baixa. Acompanhemos o desenrolar dos próximos capitulos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Entendendo a crise

Um video bastante didatico e simples sobre a crise. Forma interessante para abordar o que houve no mercado imobiliario.

 
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